terça-feira, 10 de novembro de 2009

O apagão e Meu Individualismo

Começava a piscar a minha luminária aqui do lado e eu tranquilo, com meus fones no ouvido ouvindo mais uma vez o sermão Work and Worship do Mark Driscoll, planejando como vou enfrentar a semana de provas da faculdade e consequentemente MAIS UMA VEZ passar pra uma nova fase da vida me distanciando da internet pra usá-la só com o necessário. Claro, fazendo isso sentado na frente do computador.


Quando a luz apagou, pensei:"Sou sortudo, meu computador tem bateria!" e logo "ops!", tirei os fones e fui ver como estavam meus pais e irmã. Que descuido não? Já cogitamos ser uma conspiração para 'resgatarem' o Fernandinho Beira-mar que está sendo julgado esta semana aqui na cidade de campo Grande. Logo a minha irmã recebeu uma mensagem de uma amiga virtual do inteirior de SP me dandoa idéia mandar mensagens pro pessoal de fora de Mato Grosso do Sul. Uma amiga me ligou pra desejar "feliz dia do apagão!" e brincar sobre o que estariam dizendo nossos 'amigos' adventistas sedentos por sinais dos fins dos tempos.

A mensagem de outra amiga me provocou a pensar sobre a igreja,inevitável, ela escreveu: "Meu Pai acabou de dizer que só assim pra você se relacionar com seu vizinho. Quando seus eletrodomésticos não funcionam. Deep".Outra amiga disse que ligou pra alguém pra ver se não havia acontecido algum acidente. Isto se chama CUIDADO. "

Tem algo mais teológico que isso durante o espisódio?

Quais métodos de manter uma unidade litúrgica ou doutrinária funcionam agora?

Apenas o 'love your neighbor as yourself' (em inglês: ame o seu vizinho como a você mesmo), que vi analisado numa palestra do crítico|profeta|filósofo|ateu|teólogo Slavoj Žižek no youtube, dizendo que o próximo é exatamente o diferente, aquele que não merece seu apreço aquele que te irrita.

E se repensássemos a igreja.comunidade.para.o.reino em cooperação na perspectiva de um Blackout permanente no mundo? pra que serviria nossa idéia cristianismo ? Alguma sugestão, reflexão, opnião?

ESCREVA, nessas horas ... qualquer ponto de luz é ÚTIL.






segunda-feira, 10 de agosto de 2009

Viver o cristianismo sem instituição?




A leitura desse livro me dá a impressão de que não preciso publicar mais nada.

sexta-feira, 24 de julho de 2009

O Gesto Irônico da Igreja (Tradução Livre)

Ryan Bell, o pastor da Igreja Adventista do Sétimo dia em Hollywood, convidou o filósofo/teólogo Peter Rollins para uma conferência de dois dias chamada “Além do Evandalismo” no prédio de sua igreja.

Em sua palestra Peter Rollins discutiu um número de coisas importantes para a igreja: o gesto irônico e o fetichismo. De acordo com Rollins, o problema com “missão” e a igreja é que nós tentamos trazer pessoas para dentro de nossos prédios, trancando e assustando-os para acreditar/doutrinar. Ele apontou que o desejo humano é melhor experienciado em um triângulo. Nós precisamos de um terceiro (algo ou alguém) para lhe contar nossa fantasia/desejo/experiência.

Ele contou a estória sobre dois estranhos que foram os únicos sobreviventes de um naufrágio e estavam encalhados numa ilha deserta. Depois de muitos meses eles começaram a se tornar amigos: inicialmente eles ressentiram-se por serem as únicas pessoas na ilha. E finalmente em certa noite eles se divertiram muito. Na manhã seguinte o rapaz pareceu um pouco cabisbaixo e então a garota perguntou se algo tinha dado errado, o rapaz não pode se explicar. Então ele teve uma idéia: pediu à garota que botasse um bigode e uma peruca e o encontrasse debaixo de uma árvore. Ela achou que isso era realmente estranho mas decidiu continuar. Quando ela, parecendo um homem, encontrou-se mais tarde com o cara, ele disse:” Ei camarada, você não consegue adivinhar com quem eu tive sexo na última noite!”.

Esta estória ilustra que geralmente o prazer só pode ser aproveitado quando é compartilhado com outros.

Geralmente Deus preenche essa triangulação para os cristãos. Deus preenche o espaço para que “ nos possamos dormir à noite”. Deus se torna uma muleta em qual nos encostarmos para que não tenhamos de encarar a áspera realidade da vida, que geralmente parece sem sentindo. Rollins disse, “Queremos que Deus seja esse terceiro, para que possamos colocar nossas projeções, e nos manter longe de encarar nossas questões.

Este era o propósito essencial de Bonhoeffer também. Ryan Bell em suas reflexões sobre a palestra escreveu:

“ Em seu tempo, Bonhoeffer fez a observação de que Deus estaria sempre no retiro, com menos e menos poder, reduzido à uma idéia – simplesmente uma explanação do que nós não podemos explicar. Nós precisamos que Deus nos ajude a encarar o mais provável, que a vida é sem sentido, que todos que amamos irão morrer, que nós viemos do nada e vamos para o nada. Então, Deus é empurrado para as margens, não somente de nossas vidas, mas também da sociedade, até o ponto em que Deus não tenha mais poder.”

Na modernidade, deus se torna intelectualizado. Nós vamos à igreja acreditando que enquanto estamos lá, aquilo é o que acreditamos intelectualmente, mas quando deixamos o local somos “ateus práticos”. Não vivemos o resto da semana como se realmente acreditássemos. Nossa fé está intelectualizada ao ponto que podemos criticar as práticas sociais enquanto estamos nos engajando nessas práticas sociais. Pense naqueles influenciados pelo movimento verde que criticam os grandes carros, mas dirigem tanto quanto ou mais em seus pequenos e veículos mais eficientes do que aqueles bebedores de gasolina. Invés de perguntar, “por que eu possuo esse carro?”, ou “Por que eu dirijo tanto?”, eles intelectualizam a sua paixão por sustentabilidade para que então eles não tenham que acreditar de uma maneira que iria realmente mudar sua prática.

Isto é o que Rollins chamou de gesto irônico. Esse sentimento vai contra o que Pascal defendia. Que não se importava com o que as pessoas acreditavam desde que vivessem de acordo com um mundo onde Deus existe.

O que aconteceu em nossa forma de missão é que por trazer pessoas para dentro da igreja e fazê-las certas de que acreditam com segurança e sem medo, a igreja acaba tendo que crer por elas. Os rituais, o pastor, os sacramentos, todos crêem por nós. Estas coisas se tornam o terceiro no triângulos. Elas creem no Domingo/Sábado para que nós não tenham que crer no resto da semana.

Isso acontece quando a igreja se torna um fetiche. Um exemplo de um fetiche é o dinheiro. Nós sabemos que o dinheiro não é mágico mas continuamos vivendo como se pensássemos que fosse. Um fetiche “nos previne de experienciar a verdadeira realidade de nossa situação social.” A igreja como um fetiche que nos permite continuar com nossos trabalhos horríveis, relacionamentos abusivos, corrupções antiéticas, etc. Então afim de realmente encontrar Deus e libertar essas pessoas precisamos remover a igreja.

A primeira resposta à isso, e a mais provocativa, e dizer que precisamos remover a igreja para que então as pessoas estejam livres para encarar a realidade e acreditar por elas mesmas. Mais isso seria apenas a antítese do problema. O que são precisas em vez disso são potentes “práticas poderosas” como James McCaledon as chamou, que estão enraizadas tanto em crer e praticar. Nós precisamos de comunidades que interrompam o fluir do terceiro e nos empurrem para confrontar a realidade de Deus e encontrar a Cristo.

Que tal a igreja interromper esse gesto irônico? E que tal se Deus fizesse isso com nossas igrejas?

__________________


Texto original: http://gatheringinlight.com/2009/03/02/the-ironic-gesture-of-the-church/
Ryan Bell (pastor adventista): http://www.ryanjbell.net/
Folder da Conferência: http://www.ryanjbell.net/

_____________

P.s.: Aparentemente um discurso ateista que se converte numa espécie de puxão de Orelha. É incrível como essa pequena síntese conseguiu expressar a experiência que estamos vivendo em família e com mais algumas pessoas. Deixar as atividades eclesiais para encontrar Deus na nossa realidade cottidiana, se é que estávamos tendo um relacionamento real com Ele.

sexta-feira, 19 de junho de 2009

Foi apenas um Instrumento

São apenas instrumentos.

Deus fica tentando se comunicar conosco tentando usar de tudo.

Principalmente aquilo que já foi maldito pelo homem.

Acho que essas minha experiência em ter lido o livro do Peter Rollins e ficar marcado na minha cabeça a questão da idolatria conceitual, a questão que a teologia, os rituais, a música, os livros são apenas ÍCONES me deixou um pouco perdido por esses dias: “se posso usar todas as teologias então qual EU vou usar pra me conectar com Deus?”

“Não Tenha medo, é apenas uma pancada de cada vez em quando, e uma luta; um pacto com os olhos e um jejum no deserto, um pouco de calma vigilância e o esforço sincero de obedecer e tudo estará bem. Não tenha MEDO. Ele é exatamente misericordioso e pouco a pouco os aperfeiçoará. Ele não lhes mostrará para onde os está conduzindo; vocês poderiam assustar-se se vissem todo o quadro de uma vez só. Bata ao dia o seu próprio mal” John Henry Newman, citado no livro “A biblioteca de C.S. Lewis

Hoje foi o dia de mais outra pancada. Eu sempre preocupado em buscar uma maneira de como fazer que meu cristianismo seja efetivo, afinal, tenho muita responsabilidade sobre minha comunidade né?

(Sei que meu pai chegou hoje com o filme “Prova de fogo” que eu tinha visto como Best-seller ao lado de livros cristãos na amazon (com o título Fireproof). Eles aproveitam pra fazer a propagando do livro “O Desafio do Amor”, que parece uma boa indicação. Acho que a história é seja real. Um casal que não tinha mais esperanças reconciliado.)

Bom, Parece que Deus tem tentado me ensinar que não é assim. Ele age como quer, onde quer, quando quer. O que eu tenho que fazer é: esperar. A tal da missio dei (alguém sussura).

E o interessante é que nosso Pai criativo e divertido como é usa diversos instrumentos, aquele santinho da nossa vó que a gente condena, aquele filme que não pode ser assistido no shabat, aquela pessoinha irritante da faculdade, a bíblia (até a bíblia?), aquela música da novela “você não vale nada mais eu gosto de você”.

De alguma forma Ele vem nos buscando. O que eu quero aprender é estar apto em espírito pra receber esses memorandos. Talvez se parássemos de rotular o que é o “fazer sacro, as tais das disciplinas espirituais. Eu caio nesse erro: “Bom, agora vou FAZER a solitude; vou sentar com meu livrinho aqui e vou sair outro.”

“Prova de fogo” trás uma história do efeito de um livro na vida de um casal. Aparentemente o livro que faz o milagre. Mas o pai do protagonista deixa claro que o livro foi apenas um instrumento.

A Teologia narrativa começa a fazer mais sentido pra mim. Deus é Pai, oras. E todo pai tem sempre uma boa história. Ele está escrevendo as vidas de muitas pessoas por aí e isso é a única coisa que importa, talvez esteja repetindo uma única história na vida de todos habitantes do Universo . A História da restauração e da reconciliação. Me dá uma vontade de sair perguntando às pessoas: “ Qual a sua história com Deus?”

Talvez um sentimento que deveria tomar conta de mim 24h expresso na música de Paul Waller que no filme passam-se cenas marcantes:

While I'm waiting
I will serve You
While I'm waiting
I will worship
While I'm waiting
I will not faint
I'll be running the race
Even while I wait


quarta-feira, 3 de junho de 2009

Despastorizando?

Para desenvolver uma comunidade saudável, a melhor abordagem pode na realidade envolver deixar claro que ninguém está começando tal comunidade e que não haverá um suporte pastoral, que ninguém vai ser encarregado com a tarefa de tomar o dinheiro e distribuí-lo em nome das pessoas, e que ninguém vai ser responsável por chamar você se começar a parar de atender os eventos.  Em breve, deve estar claro que o grupo não dá a mínima para a necessidade das pessoas. Enquanto isso pode parecer profundamente desatencioso, a razão para afirmar isso é na verdade para ajudar a prover um solo saudável para florecer um real suporte pastoral e financeiro.

                Provendo um espaço sem equipe de recepção ou grupo de suporte pastoral significa que os indivíduos precisam tomar a responsabilidade por convidar e cuidar dos outros por si mesmos. Aqui o propósito de se estabelecer o grupo não é criar uma nova divisão sacerdote/leigo, mas ao invés disso recusar-se a trabalhar na função de um sacerdote para então encorajar um sacerdócio de todos os crentes ( 1 Pedro 2;9; 1 Peter 2;4-5; Apocalipse 1;2-6, 5:6-10.), oferecendo suporte pastoral relacional e mutuamente dependente. Isso não significa que não haja lugar para liderança, aqui o líder é quem tenta impedir qualquer pessoa, incluindo o líder, de abusar do espaço e se apossar da tarefa de ‘sacerdote superior’. Em tal espaço existe uma recusa radical, por aqueles que organizam a reunião, de se apossar da responsabilidade pastoral.  Por recusar o lugar de poder, os “pastores” equipam a todos para ser cada um, um pastor, simultaneamente desencorajando uma dependência doentia da parte daqueles que atendem.

                Desta maneira podemos focalizar mútuo pertencimento como iguais na luz do evento de fé. Em mantendo o foco sobre o milagre de fé, um contexto assim em qual relacionamentos genuínos podem se desenvolver e florescer. Invés da idéia política e privatizada de um relacionamento envolvendo duas ou mais pessoas vigiando uma outra enquanto tampam o mundo a fora, uma que forneça o contexto para relacionamentos em quais as pessoas olham rumo a tal horizonte comum, que entrem numa íntima proximidade com os outros.


Peter Rollins em seu livro "the fidelity of betrayal: towards a church beyound belief" 

quinta-feira, 30 de abril de 2009

Liberdade Acima de Tudo

"Muitos comentário bíblicos entederam o "homem novo" de são Paulo  no sentido individual. O individualismo do ambiente influiu inconscientemente na exegese bíblica. Contudo  a exegese recente denunciou essa penetração ideológica. Para S. Paulo e para o  cristianismo primitivo inteiro, o homem novo é uma realidade social concreta visível e palpável: as comunidades cristãs. "Revestir-se do homem novo" é entrar na comunidade crostã e  adotar os  seus modos de viver. 


Por sinal não podemos esquecer-nos que o individualismo moderno nasceu em grande parrte como protesto contra um "coletivismo" eclesiástico. As Igrejas cristãs oscilam também entre dois extremos dos quais nem sempre estão bem  conscientes. Por um lado exigem uma subordinação total ao "sistema" eclesiástico, e por outro lado  pregam uma salvação individual. Acontece inclusive que as duas estruturas ficam associadas numa combinação histórica paradoxal mas vivável: o governo eclesiástico não promove estruturas comunitárias e dirige-se a cada indivíduo em particular. Dessa maneira cada indivíduo está chamado a fazer a sua pregação por meio da subordinação total ao sistema ditado pelo governo. 

A comunidade representa o homem novo face a todos os individualismos e todos os totalitarismos sociais, sejam eles eclesiáticos, civis ou militares. 

A comunidade é  a verdadeira superação das relações de dominação. Na comunidade não há dominação do mais forte sobre o mais fraco, do senhor sobre o escravo. Em lugar da dominação existe a liberdade: todos tomam iniciativa, ninguém é obrigado a fazer a vontade do outro. A liberdade vence a necessidade. Contudo na comunidade a liberdade não quer dizer que cada um faz a sua própria vontade, não quer dizer individualismo, nem anarquia. Pelo contrário, cada um faz voluntariamente as tarefas necessárias ao bem de todos."

Hoje, saí 10 minutos antes da aula acabar e fui na  biblioteca da universidade, direto nos livros em teologia.  Encontrei o "Antropologia Cristã" surrado de uma coleção sobre teologia da libertação, da autoria de José Comblin. E vou aproveitar o feriado, pra ler e compartilhar, este livro e mais o "O que é uma Comunidade Eclesial de Base" do Frei Betto, e o Hipermodernidade do filósofo francês Gilles Lipovetsky. 

É muita informação que inflúi diretamente na prática de nossa comunidade aqui. 
Não dá tempo de comparrtilhar tudo. Só convivendo! 

quarta-feira, 29 de abril de 2009

Sofrendo para Adorar



Passei 3 dias vendo esse sermão. Valeu a pena. 
E agora tá no meu ipod.